A FILHA DA LEI ANTIGA

Autores: Adélia Prado

A  FILHA  DA  LEI  ANTIGA
Deus não me dá sossego. É meu aguilhão. Morde meu calcanhar como serpente, faz-se verbo, carne, caco de vidro, pedra contra a qual sangra a minha cabeça. Eu não tenho descanso neste amor. Eu não posso dormir sob a luz do Seu olho que me fixa. Quero de novo o ventre de minha mãe, sua mão espalmada contra o umbigo estufado, me escondendo de Deus.

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