Neopelicano

Autores: Adélia Prado

Neopelicano
Um dia, como vira um navio pra nunca mais esquecê-lo, vi um leão de perto. Repousava, a anima bruta individua. O cheiro forte, não doce, cheiro de sangue a vinagre. Exultava, pois não tinha palavras e não tê-las prolongava-me o gozo: é um leão! Só um deus é assim, pensei. Sobrepunha-se a ele um outro animal radiando na aura de sua cor maturada. Tem piedade de mim, rezei-lhe premida de gratidão por ser de novo pequena. Durou um minuto a sobre-humana fé. Falo com tremor: eu não vi o leão, eu vi o Senhor!

-------------------------------------------------------------------------------------------------------------- (Oráculos..., p.139.)

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