Cotidiano

Autores: Sigmar Montemor

Cotidiano
Ela acorda Espreguiça o desânimo Lava os pesadelos Escova a miséria E começa a limpar as frustrações Logo é hora de preparar a fome Quando ela vê acabou a manhã Ela lava o desespero Passa o tédio Tira o pó da acomodação E dá uma lida na ignorância Ajeita a desesperança Organiza o cansaço Quando ela vê acabou a tarde Ela tempera o preconceito Cozinha uns traumas Assa o medo O marido chega e ambos se fartam De desrespeito E ódio Quando ela vê acabou a noite A morte chega despercebida Quando ela vê acabou-se a vida

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