TRISTE VERDADE

Autores: Celeste Aída de Assis Foureaux

Triste figura, tão feia! Nua, pálida, que horror! Chama a todos os viventes Fogem todos com pavor Anda só por toda a Terra E não desiste jamais Porque precisa achar ajuda, Quem olhe de frente o seu terror Chama daqui, tocam de lá, Fecham janelas e frestas Todo mundo a reclamar Do cheiro que é de amargar! Para explicar o que a fez Viver assim escorraçada, Feia, infeliz, indesejada, Ela começa a falar Sem, no entanto, ser ouvida: - Eu vim ao mundo tão linda, Tão feliz a encantar E a ajudar quem me chamasse Ou me quisesse tocar... E ao passear pelo mundo Defrontei-me com a inveja Que se uniu com a mentira E essa dupla maldizente Pôs o mundo contra mim, Fez de mim este molambo E ninguém quer me aceitar. É que... meu nome é Verdade E assim acha a humanidade, Que a verdade sempre dói, Que a mentira é bem mais fácil, Mais bonita, mais alegre E assim vai sempre ser... Terei que levar sobre os ombros O peso perene da vida Somado a eterno sofrer E assim... até morrer! Celeste fevereiro/96

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