MEU SILÊNCIO

Autores: Celeste Aída de Assis Foureaux

MEU  SILÊNCIO
Ouvindo o silêncio da noite Deitada em meu quarto a pensar, Tento entender de uma vez, Porque silêncio... não há! Ele é ruidoso também, Ruidoso, como ninguém! Então eu compreendo, Que silêncio não é só Uma falta de ruídos, Isto seria fatal Para quem “não” o ouvisse, Ou tentasse compreender. Silêncio está em cada alma, Cada rosto ou coração, E ele faz um zumbido Para cada ocasião. Às vezes vem como a água, Tranqüilo como um riacho, Às vezes vem como o fogo... Queimando o peito a arder, Vem consumir tudo logo Sem uma luz acender. Às vezes vem tagarela Numa alegria loquaz Vem falante da janela Para o meu peito incapaz. De qualquer forma é silêncio. De amor, paz e alegria. Ou de tristeza e pobreza Porque uma luz não foi acesa Pra clarear uma mente Que ao chorar descontente Não enxergou o seu norte Que lhe acenava com a sorte E assim vai esse amigo Passando a noite comigo E eu, tentando entender Esse silêncio ruidoso, Esse amigo silencioso Que trava luta com a insônia E espanta a solidão. E quando durmo tranqüila Se faz de meu guardião!

Janeiro/95

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