Dispersos

Autores: Euna Britto de Oliveira

Dispersos
Esporinhas de prata para o cavalo branco, de crina longa e cauda recortada, afoito por natureza, que transporta a rosa dos ventos, fadada a se tornar a rosa dos tormentos... Roda d’água da represa, girando e produzindo energia hidráulica, derramando alegria sobre a face do dono da terra, que sem ela seria árida, sobre a face da terra, que sem ele seria seca... Percebo a raridade da cena e fotografo o momento dos pombos venezianos comendo das mãos dos turistas em um de meus dias de Europa... Onde houver uma rede e árvores, aí pode ser meu lugar de ler, de escrever, de rezar, de descansar... Cabisbaixos, os tatus procuram não sei o quê... Proprietários de buracos, têm onde se esconder!... Felizmente cavo e lavro apenas palavras. Distribuo meus bens não entre os pobres, mas entre os candidatos a pobres... Haverá dom maior que o de viver e aprender, o de aprender e arquivar, o de esquecer e lembrar?... Vazio do ser... Ô riqueza! Espaço para se encher de novos dons!... Atenas dos filósofos, dos oradores, das Helenas... Todas as mulheres já foram pequenas... A que vejo agora tem apenas um ano de idade, olhos azuis, cabelos negros e se chama Luísa...

Belo Horizonte

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