Caravançarai

Autores: Euna Britto de Oliveira

Caravançarai
Rumorosa turba cerca o Coliseu... Todos querem ver os cristãos na arena, menos eu! Não sou melhor nem pior do que aqueles, apenas somos de milênios e culturas diferentes... Mais do que sou e pareço, amanheço. Aquém de mim, anoiteço. A madrugada me reabastece. Eu também sou de argila, dessa com que são feitos os tijolos, no mundo inteiro, pelo mesmo oleiro!... “Abracadabra!” Uma rosa imensa aparece, posa e pede para ser fotografada! Da Bulgária, de onde vêm as mais belas?... Não! da Turquia! ... Que falta de premonição! A que seria sua última foto perto de uma rosa, e eu não sabia... “Chaminés das fadas são essas formações rochosas esculpidas pelo vento. Capadócia significa cavalo bonito, e Pamukale quer dizer palácio de algodão...” Informa o guia turístico. A Turquia é surpreendente!... Quanta coisa dos gregos antigos e dos próprios turcos por lá!... Caravançarai!... Palácio das caravanas, onde descansavam de graça. A caravana de minhas emoções descansa é neste livro, e isso é uma grande Graça!... Pela mesma rota que seguiam as caravanas de camelos, seguem caravanas de turistas... Um Caravançarai transformado em restaurante. Almoçamos nele. Quem vai sarar essas lembranças que maltratam a gente?... Soa bonito: *C*a*r*a*v*a*n*ç*a*r*a*i* !... Quando quiser me localizar, estarei em companhia da poesia. Foi quando adoeci de poesia que sarei de minhas longuíssimas tristezas!... Parece que sarei! Caravançarai... Sarai-me! Quando acontecer tudo o que tiver de acontecer de bom comigo, ainda vou achar pouco!... — “Pra você, nada chega! Tudo é pouco. Não agradece!” Será que sou assim mesmo?... Ô meu Deus, que vontade de continuar daquele jeito, no meio da festa!!!... Mas a festa acabou! O príncipe dessa história morreu... Quem ficou no prejuízo fui eu.

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