Poesia a Duas Mãos

Autores: Christiane Britto de Oliveira, Euna Britto de Oliveira

— "Como a areia é boa pra desenhar, né, mãe?" — É sim, filha. — "Eu tou escrevendo." — Sim, filha. Eu também tou: Areia molhada, socada, pisada, marcada, você vai ficar coruscante, brilhante e chutada!... Depois, lavada, lavada, levada... Nessa praia de julho, que o vento sul visitou. Com essa água e o barulho que o vento sul misturou. Tudo é vento sul! Vento sul não é azul. Vento sul é culpado, é agitado, Afugenta os peixes, tira a palha das barracas!... Quem fez casa na praia, o vento sul esfriou. Hoje não tem muita concha, não tem mesmo concha alguma, porque o vento sul enterrou. As conchas são cascas da vida, que o mar enjeitou... — "O que foi que eu escrevi, mãe? Isso aqui é uma bola, isso aqui é uma cadeira, isso aqui, cê sabe, isso aqui, cê sabe, isso aqui, cê sabe, isso aqui, cê sabe": OHRAIHP — Você escreveu ORAI, filha! E eu não escrevi nada...

Christiane, na praia, aos 3 anos de idade...

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