Colagens

Autores: Euna Britto de Oliveira

Colagens
O muro onde o condomínio acaba é a necessidade de limites, lembrança da Idade Média, média segurança para perigos sem fim... Acho esse nome horrível para um aeroporto: Confins. Dobraram-se como joelhos as colunas do edifício, com a explosão da bomba que nem era atômica! Rápida e fácil é a destruição!... Demorado é construir... reconstruir!... Tanto prédios quanto pessoas, quanto imagens de pessoas... As marteladas ensurdecem a pomba, e o pedreiro nem liga... Também o som do motorzinho do aquário deve perturbar demais os peixinhos vermelhos!... Mas o dono deles nem se toca! Maleáveis demais, os fracos são os fortes de Deus! Como um radioamador, repetindo, tentando contato, insistindo... reinvento falar com os céus! O céu é longe demais!... o céu é dentro de mim. Estou dormindo... E só com muito barulho ou chamado acordo. Concordo, De acordo, Discordo são expressões que ouvíamos no Tribunal, na Taquigrafia, da boca dos Juízes... Já na Assembléia Legislativa, os Deputados começavam assim: Sob a proteção de Deus, iniciamos nossos trabalhos. O vôo do Concorde não tem nada a ver com isso, mas me recordo... Geografia de Deus, venha me situar nesta terra que até hoje estranho!... Tenho ajudado a construir o reino e ainda falta um “pedação”!... Há tantos sem nada de tudo, há tantos com tudo e sem nada... Ausculto um coração duro, preso dentro de um muro, muro que devo saltar, para tentar reaver o rubi raro perdido num amontoado de carvão e cinzas, para tentar resgatar um coração sitiado! Acabou-se a noite. O horizonte é a larga maternidade onde o sol nasce e renasce!... Anuviada, penso no Vesúvio. Aliviada, sobro do dilúvio.

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