Reivindicação

Autores: Euna Britto de Oliveira

O meu eu antigo aflora e reivindica! Hoje, não há atendimento no balcão do céu. Embora esteja magra, embora esteja bela, passam luas e sóis, nascem margaridas, morrem girassóis... As canas viram garapa e lotes vagos enchem-se de casas... Meus pais, que eram tão reais, volatilizaram-se... Sobraram-me uns retratos, dentre os quais aqueles que se encontram sobre o piano. Pessoas falecidas são pessoas sumidas. Como dói perder pessoas e ter a certeza de nunca mais encontrá-las!... Em endereço algum, em lugar nenhum elas estão... Esse pensamento é faca no peito, corro para servir e redobradamente abraçar os vivos, valorizando presenças. Tolero até suas palavras duras, mas, por favor, não morram!

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