PAIXÃO

Autores: Aldo Brandão

PAIXÃO
Do caos fecundo vento difuso sou Das profundezas (meu ventre de incertezas) gerei você. Talvez por ser palavra já separada do cordão do umbigo digo seu nome paixão que me consome Eli: palavra feminina palavra forte em mim! Num poste abandonado, meu verbo acorrentado sou. Sou chaga sou Eli sou inocente de meu desejo ardente. Do chão erguido, por sobre o trigo, desses trigais com que recobrem a terra Eli, sou luz aprisionada ao cerne da caverna. Pão sem fermento não partilhado. Vinho sangrento, Eli, culpado estou por ser quem sou Eli! Fui condenado a ver ressuscitado meu sofrimento na voz do vento a me dizer Eli.

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