Afinidade

Autores: Euna Britto de Oliveira

Afinidade
Sinto como se meu coração fosse feito não mais de músculo, mas de couro curtido, bem distendido, onde qualquer toque soa como o rufar de tambores, para a paz ou para a guerra!... Meu coração quer ser tocado, quer ser batido, quer tudo... Só não quer abatimento! Toca o telefone, é a melhor voz deste mundo, a de quem adivinha a minha, é a voz do Léo, voltando do sítio. Vai cortar as asas da pomba “fogo-pagou”, e me assegura que não dói, viu a do Roninho... Pomba não pode fugir, meu menino, porque senão foge a paz... E o pônei? Esqueci de perguntar se foi castrado nessa lua!... Uma voz grave nos interrompeu e cortou nossa conversa. Nós dois não queríamos que tirassem do pônei sua “alegria de viver”, mas ele salta todas as cercas, por causa de namoradas... Foi o jeito!...

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