A Marcha

Autores: Euna Britto de Oliveira

A Marcha
Eu posso parar um pouco para poder descansar? — Não! A marcha continua. E para consertar algo que está a me incomodar? — Não! A marcha continua. Eu posso permanecer com a gente desse lugar? — Não! A marcha continua. Nem com alguns espairecer, com os que estão a passear? — Não! A marcha continua. Já que não posso parar, atrás eu posso voltar? — Não! A marcha continua... Eu só queria voltar para um desastre evitar. — Prossegue! Não vais voltar. Então, não posso parar, enquanto puder prosseguir? — Não! A marcha vai continuar. E se eu não agüentar essa marcha lenta e crua? — Pior será para ti. Aceita a marcha que é tua. É difícil caminhar, com peso pra carregar. — Prossegue! A força dá. E esse alguém (Kika) que amo tanto, um dia vai se agüentar? — Prossegue! Pára de perguntar. Nem isso eu posso saber para poder me alentar? — A vida é luta renhida. Não importa o que será. Eu vejo em outros caminhos pessoas a se arrastar... — E vão, e não é em vão que se esforçam por chegar. Mas acho que cruz é a minha. A deles tem outro pesar. — A tua parece atroz só porque é teu lugar. Eu nunca vou poder voltar? — Prossegue na tua faixa. Não compensa desertar. Então, eu vou caminhar! Então, eu vou prosseguir! Sou livre para correr, saltar ou ir devagar, mas só até aprender o jeito certo de andar. Surpresa não mais vai ser se cair ou tropeçar. Certeza que posso ter: Vou conseguir me aprumar. Ao logo da trajetória, posso uma coisa notar: O concurso da memória pra alertar e assinalar. Um pouco eu posso curtir, pois muito seria gozar, de tudo que recebi e a outros devo entregar. Na hora pior da sorte, ajuda há-de chegar. Por isso, rejeito a morte, eu quero continuar!... Em toda estrada da vida há coisa bela pra olhar. Serviço, pois sou servida, amores que eu possa amar...

À querida amiga e ex-colega, Vicemira Jorge Cruz (Zizi), a primeira da fila... Homenagem à ex-colega e grande amiga, Vicemira Jorge Cruz, a primeira da fila...

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