Abstrações

Autores: Euna Britto de Oliveira

Abstrações
Olhei o mato outra vez, e agora ele tinha cheiro, cor, e até sentimento!... Uma fruta doce como mel e outra amarga como fel serviram-me de alimento. Quem abaixou os braços das pessoas que não se abraçam mais?... Penso em escadarias. Quão baixas seriam as alturas, se tivéssemos asas!... Degrau por degrau... Isso também não é mau. É possível subir! Os que vieram depois não mais encontraram as dificuldades enfrentadas pelos que amolaram as primeiras facas, e fabricaram as primeiras fardas!... Queria ver de perto o rei do hunos e os hunos, para saber se eram bárbaros, se eram belos!... Tenho um fraco por beleza. Não me espera o tempo, que se derrama na ampulheta... Ou se despede na cadência dos relógios!... Numa relação de abstrato “versus” concreto, o tempo soterra mais do que a montanha!... Quem vê um enterro, cheio de choros e flores, poderá constatar depois a quietude... Despedida é uma hora só. Os cemitérios são cenários de despedidas, e nada é pior.

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