Parlatório
Autores: Euna Britto de Oliveira
Uma araponga martela em ferro invisível
o seu canto milenar!...
Enquanto isso, o vento leva para longe
todas as formas de carrapicho...
A conversa dos pássaros comuns,
em assembléia no telhado,
lembra o falatório dos homens
nas assembléias da vida.
Espelho meu, que sei eu da língua dos pássaros?
O que estarão a discutir ou a “fofocar”?...
Pelas costas, observo as pernas sólidas e mudas
do homem de gênio difícil
que hoje veste bermudas.
Nunca me fizeram mal!
Antes, têm estado a meu serviço...
Por que a língua não imita as pernas,
que podem esmagar e não esmagam?
Por que a língua é tão incisiva
e não se presta mais ao canto?...
O ser indiviso se faz odiar inteiro pelo que diz.
A língua sozinha compromete o corpo todo,
quando poderia ganhar o mundo inteiro!!!...