Escombro
Autores: Euna Britto de Oliveira
Eu nunca havia visto um desmoronamento...
O barulho daquelas paredes caindo,
numa manhã chuvosa,
lembrou-me muito as pessoas
que vão perdendo as forças,
pegando escoras,
até entregar os pontos,
e deixar desabar seu peso!...
Só que nas paredes,
não é a alma!
É o pó que sobe!...
Eu nunca vi um passarinho solto pobre,
todos são bem servidos!
Os homens soltos,
alguns deles são tão desvalidos!...
Pobre não vira santo se não quiser!
É só passar os apertos e as humilhações
que já passam mesmo,
mas sem revolta!
Agradecer cada privação,
cada provação!
Aceitando, agradecendo,
elas passam mais depressa!
Treinos de tolerância...
Como um louco rouco,
como um leigo rico,
parte da humanidade
desumanamente assiste
ao sofrimento dos excluídos...
Mineralmente resistem os fracos,
com nervos de aço!