Chuva Amiga

Autores: Euna Britto de Oliveira

Chuva Amiga
Trago palavras molhadas na água da chuva que banhou minha alma. Neste momento, igualo-me às árvores que me circundam: Úmidas e contentes, derreiam-se sobre o espaço entre a própria copa e a grama. Respingam!!!... Do pensamento até os pés, dolentemente, reclino-me na rede, e descanso. Respiro!... Quem quiser correr, que corra... Quem quiser morrer, não morra! Vale a pena estar na chuva!!! Vale a pena estar na vida!!!... Estática ou dinâmica, a vida é ponto e é linha, costura e geometria, carro no asfalto e paisagens, vales e pontes, passagens, música do céu decifrada, sucesso em vestibular, carreira feita de etapas, choro alto de criança, querendo mamar... Contido choro de adulto, querendo mais mar!... Noite escura para vaga-lume enfeitar... Água rasa de riacho com pedras morando embaixo... Espelho de represa para cisne navegar... Estrela rara que avisto entre as galhas do pinheiro brilhando, lá longe!... E designo: Essa é minha mãe, que virou luz!... E só eu sei que é ela, embora todos pensem que seja uma estrela amarela!... Pontos negros dançam contra um céu cinzento. São uma equipe de pequeninas aranhas, que tece uma teia invisível, interminável renda, tão interminável quanto fazer uma fazenda!... No máximo, essa renda me fará cócegas e gastura ao passar por ela!... Mas pode deter para sempre a borboleta menor, a mariposa, muitos insetos, um coração a cismar... Gosto de dirigir na chuva!... Será ela um dia a teia de água que me irá parar?!... A vida é mesmo redonda. Amigos são para amar...

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