A moça
Autores: Euna Britto de Oliveira
Dança sem par,
dança sem parar... a moça.
E almoça peixe com salada e arroz,
toma banho de mar,
balança na rede,
pega corrida com os pássaros
e corre atrás de conchas...
Eis a cidade de nossas festas,
eis a cama de nossas sestas...
As sementes que plantamos viraram florestas!!!...
—“Mamãe tem cheiro de presente!”
Mas tenho culpa de ausência também, filha!...
Não vês?
Talvez o presente camufle a culpa...
Presente pra compensar a falta de presença!
Quando um santo vivo no céu vê sua esfinge
gravada numa medalha com alguém,
ou na parede,
um seu retrato de papel,
deve ficar todo honrado!...
E se sente convidado para habitar com os seus devotos...
Se eu fizer uma poesia para a pessoa ofendida,
acho que paga, apaga...
Sensibilidade, com sensibilidade se paga...
Nunca tomei um banho de rosas brancas,
mas acho que vou tomar!
Isso é o que posso me conceder,
em lugar do mar...
Sinto pena dos violentos,
porque desconhecem umas leis elementares do universo,
ou as conhecem e não se importam.
Uma delas, a de que tudo volta!
Uma pessoa macia é obra de arte da vida!...
A moça a que me referi, de tão macia,
é uma pessoa querida...