Solidão solidária

Autores: Euna Britto de Oliveira

Solidão solidária
Minha solidão é muito engraçada, parece cão adestrado. Se eu mandar sair, ela sai!... Às vezes, senta-se a meu lado, não me incomoda, não estranha, já sabe que sou povoada de sonhos... Neste carnaval, até comprei uma fantasia de pirata para ela. Andamos pirateando o melhor da realidade... Estalo no ar o chicote de espancar tristezas, ela compreende e se auto-repreende. Sou comprometida com o mar e com um jeito novo de amar. Não conheço parto sem dor, todos os meus partos doeram intensamente. Conheço o perto e o longe, o escravo e o monge, o aperto dos sem-dinheiro, a situação confortável, os três estados civis, aquilo que é viuvez, a dor da minha vez... Não sigo a lei indiana, toda barata que cruzar o meu caminho, eu mato! Alguém viu minha poesia e me achou inteligente. Ajeito as coisas, mas nem tanto! Os meus recursos são parcos, minha competência é pequena. Faço mau juízo com facilidade, uso bem o juízo com felicidade! Registro umas coisinhas de Deus e isso me alegra muito. Estou só, mas Deus já sabe!

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