A Toalha - 2

Autores: Euna Britto de Oliveira

A TOALHA Durante sua vida Meu pai viu muitas coisas esbagaçadas!... O pavio de sua vela já se apagou A vela do seu navio já se dobrou. Meu pai não gostava de ver nada destruído Esbagaçado pelo quintal Gostava de zelar das coisas Tinha cuidado com tudo e com todos Quando minha mãe se foi, uma de suas coisas que ficou Foi uma toalha de feltro cor de café com leite Bordada à mão por ela mesma Que também costurava e bordava muito bem à máquina Era um desenho de margaridas em liga-lacê salmão degradê Espécie de fino cadarço de seda Laços de fita preenchidos com bordado em linha de seda azul matizado Ligavam as margaridas Tinha interessante franja de bolas em volta Essa toalha era linda e era de festa Minha mãe a estimava Embelezava muito a casa Quando a colocava Depois que minha mãe se foi Lembro da indignação do meu Pai Ao ver a sagrada toalha Jogada pelo quintal… Que crime contra o patrimônio emocional do meu pai E contra a memória da minha mãe!... Quando minha mãe morreu Eu tinha 21 anos, E não estava dando conta de cuidar nem de mim Tão abalada que fiquei Quanto mais de toalha!... Não me perguntem por que não a preservei. Não sei Não vi quem tão mal a tratou! Euna Britto de Oliveira BH, 31/03/2017

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