Terra pálida

Autores: Euna Britto de Oliveira

Terra pálida
Essa cara pálida dessa terra pálida traz-me cálidas recordações... São vermelhas as terras que tive de cultivar, da cor de mim quando eu coro, da cor de ti quando choras... Esta noite, não vem se deitar comigo o moço bonito, de nariz bem feito, dentes brilhantes e sorriso franco, peito aberto ao mundo e olhos no infinito... É noite do escaravelho... Eu vi mas não pude impedir as horas graves em que o moço virou velho... A gravidade das horas é a gravidez de homens sérios... Uma palmeira cabe na janela, a outra mostra-se em parte, como quem está de saída, como quem se despede... Certa leitura me ensina, essa moldura insinua... Mais tarde é a hora do lobo, mais cedo é a folga da lua... Tudo está muito claro, a vida esta noite está nua... Caraça, 28/10/00.

Santuário de Nossa Senhora Mãe dos Homens Caraça - Minas Gerais - Brasil

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