Caju

Autores: Euna Britto de Oliveira

Caju
São inquietantes e aflitivos os frutos do cajueiro!... Tantos e tão numerosos!... Doces, vermelhos, suculentos, de alta rotatividade na safra, eu sofro a responsabilidade de colhê-los todos, para consumir só alguns... Não fazer nada com eles seria desperdício, mesmo levando em conta a concorrência dos pássaros... O socorro me vem do homem que adora tirá-los com uma longa vara e uma redezinha na ponta , como a de pegar borboletas, e tem o cuidado de guardá-los na geladeira. Tentadores, provocadores dos passantes, carne de caju de uma canção nativa, com a resina de suas castanhas, as meninas antigas faziam ou acendiam pintas na face... Comprei um caldeirão GRANDE como um caldeirão de bruxa, para aproveitá-los em forma de doce, o demorado calor do fogo lhes dará a cor de ameixas... Essa fruta entrou com força em minha vida! Essa fruta que não estava no meio do paraíso, mas agora está! No meio do meu paraíso particular!...

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