Beira do Rio Mucuri...

Autores: Euna Britto de Oliveira

Selvina areava as panelas à beira do rio Mucuri Era areia mesmo, bucha vegetal e sabão de pedra ou de coada que ela usava Eu estava de férias do colégio interno E minha melhor diversão na fazenda era esse querido e às vezes temido rio Nas enchentes, ele virava outro!... Era um tempo de estio, um dia de sol Bom pra nadar no rio!... O porto era seguro e nossa casa era perto Enquanto Selvina lavava as panelas À margem do rio e à sua margem Eu a observava e escutava... Gosto de olhar as pessoas em seu trabalho! Foi então que ela profetizou uma dura profecia: "Quem não morre de novo De velho não escapa." O tempo vem passando E eu não morri quando nova Paira no ar a sentença!... Estamos numa fila invisível O número da minha senha eu não sei Não suportaria saber Deus sabe e basta! Nesse tempo eu tinha mãe, tinha pai E tinha todos os meus irmãos!... Havia Selvina, tão cirineia, que por uns tempos nos serviu A mim, ela serve até hoje Com suas sábias palavras de Bíblia!... Obrigada, Selvina, onde quer que você esteja!...

Belo Horizonte,, 04/08/2015

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