Meus Porquês são Muitos!...

Autores: Euna Britto de Oliveira

Faz tempo que não vejo Santo Antônio Já Jesus é toda hora Santo Antônio já me ajudou tanto a achar coisas de filhos e de marido Mesmo as minhas, perdidas ou escondidinhas Dívidas e dúvidas são más companheiras Sofrência pura, flagelos Cada uma aperta e espanca de um jeito O jovem de compleição atlética sentou-se à mesa com o amigo Por mais que fosse forte Por mais que aparentasse saúde Leve máscara mortuária pairava sobre sua face E uma palidez gelada se insinuava sobre seu corpo Senti isto e não entendi Também não arrepiei nem arrependi Na festa dos seus 103 anos Catarino dançava como um jovem A dança era forró e as mulheres eram muitas e se revezavam Pele morena sem rugas Só lhe faltavam os dentes Pela cor da pele, Catarino tem parentesco com índio E sua genética é dez!... Quando a pessoa não quer e a necessidade obriga? Por que penso em centopéias? Na beira da varanda da casa da fazenda Eu de férias, algo roçou meus pés e quando vi era uma delas Falo das venenosas Fazenda não é só beleza, são muitos os perigos também! Quem teve de atravessar correnteza de rio largo e cheio, como eu atravessei Em barco pequeno e um só remador? Em idade pouca e uma vida só? E a vaca brava que não me pegou só porque corri e subi na cerca de madeira lisa do curral? Minha mãe vendo tudo de longe, sem poder fazer nada a não ser rezar?!... Meus porquês são muitos Meus ETs são bons!...

BH, 08/07/2016

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