Pedra-sabão

Autores: Euna Britto de Oliveira

Pedra-sabão
Estátuas de pedra-sabão, um meio metro de sim, um meio metro de não, o meu dia se estragou por uma simples observação! Como cílios de olhos que se fecham, minha coragem se deitou!... Borboletas de lata madrugam em volta de mim, sou um lugar de mudanças... Uma terra de papel é mapa, uma gruta em qualquer pedra é lapa. Penduro minhas mesmas vestes nos mesmos cabides por mais que a milésima vez... Meu corpo ainda se equilibra por causa do ímã dos olhos de Deus! Não sou de pedra, sou mais parecida com sabão. Sabão molhado em água benta! Escorrego... e saio de qualquer mão que tente estrangular, sufocar ou cercear minha liberdade... O que dizer da liberdade vigiada?... O que dizer da vaidade viajada?... Vou pensar!...

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