Silêncios assanhados...

Autores: Euna Britto de Oliveira

Para Isabelly, que me falou do anjo... Tomou-me de assalto a Poesia! O que eu não sabia, Ela dizia... E dizia tanto, E sabia tanto, Que se fez canto, Ponto de encontro, Pedra de encanto, Cara e metade do conto Que o santo de casa escreveu... Como fazer daqui em diante Para reconstituir a história Dessa vida transitória, Da frente pra trás, De trás pra frente?... Não pára de morrer gente, Não pára de nascer gente!... O rio geme distâncias, Sufoco dos afogados, Divisa pra uns namorados... O rio pede pontes, canoas, Bóias, barcos e balsas Ou então bons nadadores!... Silêncios assanhados Libertam-se em palavras... No canto da casa grande e sem ela, Que nunca, jamais foi senzala, Uma menina loura, um anjo, de olhos verdes E vestes brancas Já apareceu quatro vezes!... Quem viu e contou foi um homem Que lá dormiu e trabalhou. Ninguém sabe quem é a menina. A casa é a sede da fazenda Que uma boa mulher construiu, Nela morou muito tempo E depois partiu...

Belo Horizonte, 30/08/2014

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