Deste lado

Autores: Euna Britto de Oliveira

Deste lado
Fotografo o pano chinês vermelho Que se ajeita em lânguido arranjo sobre a divisória indiana. Gosto das coisas do Oriente, De sua sabedoria!... Desorienta-me o Ocidente com sua pressa E seus valores... Sou mais da Paciência do que da Ciência, Mais da Providência do que da Previdência. Estendem-se espaços Sobre a relva do tempo consumido em sonhos, desejos e empecilhos... Transcendências e transparências... Perduram dentro das casas as horas duras, ou não, Dos relógios dependurados no passado... Marcam compassos, passos, lutas, crises, Histórias e vitórias!... Aço escovado, Brilho metálico ofuscado pelo veneno destilado na sombra E projetado sobre o amor recém-nascido! Cão perdigueiro fareja uma caça no formigueiro... Debaixo da pele, Debaixo dos panos, Onde se esconde a tinta vermelha de cada ser humano? E a cobra extinta, morta a golpes de foice, Ao som de frases injuriosas, Onde a jogaram?... São cor-de-rosa as rosas do buquê da noiva No vídeo gravado às pressas, Para enviar aos ausentes... Criam-se versos e reversos. Cavam-se cacimbas, túmulos, cisternas e minas No terreno de uma das casas de Deus!... Poderia escrever mais, mas não preciso. Incisivamente, cortam-se os cordões umbilicais De pessoas que dependiam de outras pessoas, Para que andem com suas próprias pernas!!... O silêncio de Maria, ainda que tardia, Copio...

----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Ilustração: Relógio de Flores - Genebra - Suíça

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