Os Anjos não envelhecem...

Autores: Euna Britto de Oliveira

As casas envelhecem, Os moradores das casas envelhecem, As roupas envelhecem, Os alimentos perecem... Fazer o quê? Deixar o tempo correr... Deixar os moradores das casas viverem... As roupas serem usadas, Os alimentos, normalmente consumidos... Mas os Anjos não envelhecem, As almas não envelhecem, Deus não envelhece! Envelhecer é próprio da matéria, Não envelhecer, do espírito. Mesmo assim, quem quer, Aqui, agora, não envelhecer desse jeito?... A média do que a vida humana dura, Muitos já estão beirando... Até o presente, Graças a Deus, De acidente, não morri; Afogada, não morri; De parto, não morri. Num tempo sem vacinas, De coqueluche, não morri; De sarampo, não morri; De crupe, não morri... Não morri de nada Porque não era a hora. Quando chega a hora, Morre-se de qualquer coisa. Durante o sono, no sonho, Abeirei-me do abismo Pra contemplar a paisagem. A paisagem foi-me deleitando, Depois, foi me deletando... Até atingir os limites Que uma criatura agüenta! Acordei!

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