Calor humano

Autores: Euna Britto de Oliveira

Calor humano
Dormir ao relento, sofrer de frio, com o vento, com gente quente ao meu lado... Até as vacas se aquecem, esquecer, não esquecem, porque nunca se lembraram! A praia está queimando em primeiro grau, as meninas estão cursando o primeiro grau, eu estou subindo o primeiro degrau... Para a frente e para o alto! Quem olhar para trás vira estátua de sal! Meu short, minha sorte, minha morte, uns três dedos de aguardente pra marcar meu passaporte, cerveja, cerejas, percevejos de aço; meu choro, meu riso, meu passo, meu compasso, meu cadarço, meu cansaço... Submerjo e busco a pérola, o prisma, o Sacramento do Crisma... O limbo não existe mais! De luz ou de escuridão, todos nós somos canais!... Alguém me espera na sala de espera, a outra metade da laranja. Ando movendo moinhos com águas passadas, ganhando água e perdendo terreno, distraindo-me com cardumes e velhas palavras enfileiradas... Frases soltas, como lobas soltas, uivam em meus ouvidos, querendo abrigo, e eu as rechasso! Trago os olhos carregados de estrelas!... Do terraço, vi as três marias e a falta d’água em milhares de planetas!... Aos trancos e barrancos, construímos nossa casa, não a nossa paz, isso que nem sabemos como se faz... Lentos demais, foi devagar que vimos as pontas das igrejas furando a consciência da cidade! Quando eu morrer, acho que vou ficar zonza, sem saber nem onde estou!...

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