Poema para uma pedra

Autores: Euna Britto de Oliveira

Poema para uma pedra
À mon ami Pierre Clavilier, Écrivain e Poète Français, qui s´appelle Pierre... (Pierre = Pedra) Un petit hommage de mon coeur. Há umas pedras brasileiras Com as quais muito simpatizo. Uma delas é uma cara perfeita Que chora com um olho só Um filete de água cristalina, Pequenina cascata deslizante Por sobre sua face imperturbável... No tempo da seca, Esse choro seca. E fica a marca, O vinco do choro emprestado pelas chuvas de verão... A boca da pedra é séria, silenciosa, Nunca falou e não vai falar Seu segredo de fingida esfinge Que contempla os passantes Com misteriosa idade... Brota da terra como uma pessoa gigantesca Que mostra só a cabeça. Essa pedra está num dos caminhos de Minas, Perto da cidade de Nanuque, Pelos lados do Kaladão... Conquanto duras, Conquanto escuras, Vejo muita beleza nas pedras. Elas, sim, têm o direito de ser duras. Molezas não resistem aos séculos. Ninguém ousará explodir e comercializar essa pedra. Ela faz parte da paisagem do nosso mundo. Mais de uma vez, de carro, Pisco o olho para a pedra, O olho da minha câmera digital. Guardo sua imagem virtual. O fazendeiro que a possui em suas terras Não pode fazer nada com ela, Nem com o terreno que ela ocupa. A pedra nem pede desculpa. Impõe-se!

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