O caldo derramado...

Autores: Euna Britto de Oliveira

Fomes antigas de antigas formigas formigam... Ainda que já tenham sido saciadas. Na terra, não se precisa só de água. Depois de satisfeita, A fome engorda e emagrece, Vai e volta, Num pulsar de exigências e dispensas... Há quem chore de barriga cheia! Entorna-se o caldo Que serviria de socorro Aos habitantes das planícies e aos dos morros... Vivaldi ensaia suas músicas... Beethoven ganha um jeito novo de ouvir! Respaldam-me meus treinamentos com as cigarras... Houve um propósito, sim, Ainda que inconsciente, Nos estudos de piano Sem vocação para a música: Desenvolver a musicalidade necessária No trato com as palavras que viriam depois... Lavas, larvas, lavras... Vulcão, putrefação, garimpo... Está limpo o prato de porcelana Em que comi fidalgas iguarias, E o cálice de cristal Com sobras do bem e do mal. Os que vão para o outro lado Podem ajudar os de cá? Não há cerca, nem arame farpado Que impeçam... É que os de lá ficam mudos, mas ganham um jeito novo de falar, E os de cá ficam surdos, incapazes de captar... Tropeçam!... Derrama-se o caldo Que seria tão amado!...

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