Ser gente é urgente!

Autores: Euna Britto de Oliveira

Folhas de papel espreitam-me... Estreitas pautas esperam cócegas Do bico de alguma caneta! Se posso escrever, escrevo. Se não posso, perco as falas silenciosas Que me chegam e, ignoradas, Vão-se embora e não voltam mais. Entre o simples o complexo, O amplexo para o espelho convexo! Nele, esteve refletido o meu filho, Que o escolheu, apropriado para garagem, A fim de enfeitar seu apartamento. Deixou o espelho para trás... Tenta espalhar-se numa Paris comprimida, Onde meio mundo quer morar, Mas não há lugar. Estudantes escondem-se por lá, A fim de frequentarem a Sorbonne, Desejosos de serem bons!... Um bom negócio, em cidade grande, É ser dono de estacionamento, Aqui, entre nós! Não em Paris, onde o transporte coletivo, De tão resolvido, Dispensa comentários E também dispensa carros... Encontro-me com o desencontro. Não me desencanta, Desalenta-me. Tempo de índio, conta-se em luas: Passaram-se tantas luas... Regrido a esse tipo de contagem do tempo. Deconsertam-me os numerais arábicos e romanos. Quero contar com os índios E viver sob luas Passadas Presentes e Futuras... Estarei iluminada por luares, Localizável por radares!... Reduzo-me à minha expressão mais simples – a de gente. Se colocarem uma cerca diante de mim, eu não passo. Mas atravesso rios e mares, Porque a água é fluida e tenho bom trânsito na água... Sou equipada para ser vivente. Poderia ser onça, leoa, girafa... Mas sou gente.

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