Lugar Comum

Autores: Euna Britto de Oliveira

Lugar Comum
Estou caminhando nas nuvens refletidas na areia onde a onda se espreguiçou... Essa é minha hora de querubim, quero bis!... O céu tão baixo, tão debaixo dos meus pés, e eu, uma pecadora comum, assim, sem mais nem menos, sem purgatório, no céu?!... Tudo de verdade, o mundo de cabeça para baixo, só porque a terra está encharcada de água de sal... —“Estão vendendo corais de Coroa Vermelha, por favor, não comprem! Em vez de comprar, denunciem! Pela preservação do ambiente!” Anuncia o trio elétrico, num intervalo das músicas praianas, baianas... O trio também anuncia que há uma criança perdida na praia... Na beira da água sem transparência e sem fim... Sinto alívio porque meus filhos cresceram e nessa hora não estão nesse cenário! Ao mesmo tempo, sinto culpa e desconforto, porque há pais em desespero, e eu estou em segurança e estou bem. O coral, o mar faz mais!... Demora, mas faz! Posso até comprar, sem culpa, o coral que já foi extraído do mar. E a criança? Com criança, todo cuidado é pouco! Tá louco?.. Já fui “guarda-costas” e “salva-vidas” de cinco...

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