O TEMPO

Autores: Lúcio Alves de Barros

O TEMPO
Ela caiu A maioria riu Todos viram Rolou a escadaria abaixo Aos poucos ela se rendeu à lei da gravidade O vento foi insuficiente para segurá-la O ar seco que amarga a cidade negra a empalideceu Muitos degraus... e o tempo parou para ela e continuou para nós. Sacudida pelo susto Não percebeu a dor, o terror e a vergonha vermelha de sua pele roxa Todo mundo espiou Poucos pararam para ajudar e enxugar as lágrimas da pobre senhora A velha e mansa, de mãos grudadas à pele, levantava-se cambaleante Os joelhos no passeio em flor caíram novamente De sua boca enrugada lágrimas de sangue apareceram Os poucos que ajudavam foram embora e, de joelhos e solitária... ... a velha contemplou o tempo mais desprezível dos homens.

-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Lúcio Alves de Barros – agosto de 2007

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