Ausência
Autores: Euna Britto de Oliveira
Braços perpendiculares ao corpo,
acabo de sair das águas!...
Das pontas de minhas mãos molhadas,
escorrem gotas de mar...
São lágrimas de contentamento
com que vou aspergindo o momento!
Apesar do calor do sol,
está frio e vazio
o lado direito do carro.
Pegadas que o vento varreu na areia,
quisera que fossem no barro...
Distância, o que faço pra manter o contentamento?...
Deve ser para estar onde não estou
que Deus me deu pensamento.
Para não estar onde estou,
Ele me deu sentimento.
Só para ficar inteira,
concedeu-me discernimento.
Para saber que estou viva,
Ele me deu movimento!...
Em meu peito,
acorda a fera com seu desassossego!
Dou-lhe de beber,
e nada!...
A fera sem sede
tem fome!
E só se alimenta de um nome!
De sobremesa, palavras...
O não é uma palavra que corta!
O sim é uma palavra tão curta,
tão leve, tão breve,
tão fácil de usar na boca!...
Tudo é:
—Pode!
—Não pode!
—Espera!
Há cartas que nunca chegam...
Há outras que chegam,
mas não se recebe a resposta...