“Luciole”

Autores: Euna Britto de Oliveira

“Luciole”
Luzinha solta na noite, um vaga-lume acende um ponto em minha memória! Desprende-se do bando, do tempo, das outras lembranças, e se destaca por luciluzir, por me seduzir... Tudo que vem com luz, eu gravo: O farol de certo carro, a ponta do cigarro com que me queimei e deixou marca, as brasas da churrasqueira em festas de aniversário, as lâmpadas solteiras dos postes que iluminaram a espera do namorado... Palavras com que me ensinam o jeito de navegar, a luz que vem dos teus olhos enquanto é impossível não olhar, a vela que se consome pra Nossa Senhora ajudar... Nunca te dei um vaga-lume. Tive a idéia de te dar um de presente! Um vaga-lume brasileiro, que tem asas, tem dono e tem cheiro... De estimação, todo equipado para voar na escuridão... Ele é meu. Toma-o! Cuidado! Vaga-lumes gostam de voar!... Não o deixes escapar! Pode ser que fuja para o fim do mundo... E quem o vai mais encontrar?... Também não o deixes sufocar! Num espaço em tua história, ele possa sempre morar! Vaga-lumes se alimentam de cupim, ou de alguns movimentos que nascem dentro de mim... De qualquer luz pequena que na vida valha a pena ... Dessa alegria que precede minha energia... Vaga-lume é um portadorzinho de amor!...

Para Lucíola Muriel Quites Sabe por que dediquei este poema a você, Lucíola? Porque Luciole significa vaga-lume em francês. Lembrei de você, sempre iluminando minhas noites com seus e-mails geniais!...

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