Moldura oval

Autores: Euna Britto de Oliveira

Moldura oval
Deus é o meu juiz e o meu pastor. Ele suporta comigo cada nova dor E com alegrias me conforta!... Não sei mais o que eu pensava há pouco. Lembro-me que era um verso, mas perdeu-se. Um verso que não escolhi Fez presença no silêncio... Paz de papel alimentou Uma fogueira na terra!... Consumiu-se a paz, Ficaram os enredos, As intrigas, As uvas verdes, As espigas, Os medos... Quem de vós poderá dizer Onde anda Cristóvão Colombo, a essa hora? No entanto, seus retratos estão nos livros de hístória, E ontem mesmo eu o vi Em moldura oval. A Rainha Isabel, da Espanha, Esposa de Dom Fernando, Apoiou Colombo, E por isto eu lhe sou grata. Admiro aqueles que apoiam os que merecem apoio! Os nossos hormônios são poucos, Os nossos Antônios, lúcidos. Ninguém deve chamar o outro de louco. A moça de botinha vermelha Blusa cinza e calça branca Entrou no mesmo ônibus que eu. Meia de renda branca, Cinto também vermelho, Sentou-se na terceira cadeira do ônibus azul E desceu no centro da cidade. Meu ouvido, que era para escutar Música, palestras, Palavras de amor, Sons da natureza... Já ouviu brigas, Discussões inúteis, Decibéis sem conta, Sem nenhuma beleza!... Quando cheguei ao campo, A borboleta azul me rodeava Como uma recepcionista Em seus domínios... Será que borboleta é bom augúrio, Ainda mais sendo azul? Só pode ser!

-------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Ilustração: Provável retrato de Cristóvão Colombo (pormenor de "Virgen de los Navegantes" pintado por Alejo Fernández entre 1505 e 1536, existente na "Sala de los Almirantes", Alcazar Real, Sevilha. Foto pelo historiador Manuel da Silva Rosa)

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