A anciã

Autores: Euna Britto de Oliveira

A anciã
Um caquinho de mulher, Com os dedos dos pés cansadinhos, Mas tão boa e envergadinha, Que dava vontade de a gente levar pra casa... Mandou abrir o portão. Transpus a porta da casa, Onde tilintavam os sete sinos da felicidade. Deixou-me telefonar. Buscou a toalha E enxugou meus braços. Não adiantou dizer que não precisava, Não me "obedeceu". Chovia... Enxugou-me para eu não pegar resfriado! A casa da frente era a minha, Com estrago de silêncio na campainha; Sem a chave da casa, Para que me abrissem a porta, Precisei usar o telefone da vizinha, num tempo sem celular... Inarredável como um cipreste Que balança ao vento, A imperturbável velhinha, Ao sabor do tempo!...

----------------------------------------------------------------------------------------------------------- BH - 20/12/1982

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