Bate, coração!

Autores: Euna Britto de Oliveira

A minha babá ainda vive! O seu marido é que não... Lembro-me do casamento deles. Se muito, eu teria uns quatro anos de idade. Entre os presentes e lembranças que receberam, O que mais me encantou Foi uma jarrinha espelhada Com um ramo de flores pintado. O mais bonito era a gente se enxergar miudinha Na superfície abaulada dessa mini-ânfora Onde o espelho não fora ocupado pelas flores... Gosto de espelho é sem nada, Sem decoração alguma. O coração é uma ilha tão guerreada! Se o coração entra em desordem, A cabeça entra atrás... De onde me vem essa força Que remoça e tira da fossa? Das estrelas, Do Infinito?... Não sei. Ou sei?... Quem encontrar o campo de força E se ligar a Ele, Nunca mais será vencido. E servirá de canal, de extensão Para beneficiar outros peregrinos... Misterioso caminho O da meditação. De onde realmente sai? Da mente Ou do coração? Meu coração se rende diante do belo. A beleza o fascina Mais que o poder!... Com a queda, O coração vibrou baixo E a divina música não se fez ouvir. Bateu, pois coração sempre bate. Desafinadinho. Mas não errou sozinho... Sem salsa, eu como. Eu não como é sem sal!

Comentários

Ainda não há comentários.