A manha na Natureza...

Autores: Euna Britto de Oliveira

A manha na Natureza...
A pedra não tem manha Mas a água é manhosa. A pedra e a água não têm mãe. A manha da água é tamanha Que engana a pedra Engana o homem Quanto à sua profundidade e salubridade Engana o poder de reciclar da natureza... As grandes águas levam tudo de roldão, Sem dar chance às sementes, nem aos poucos pedaços de vida Que insistem em se colar às pedras e em se tornar seculares... A pedra é dura, inflexível E se esfarela... Pedras jogadas na água fazem círculos concêntricos Porque a água deixa... A água não discrimina a pedra: Qualquer pedra, ela beija, e banha E cai, se tiver de cair, Em queda livre Em toda cachoeira!... Não culpa a pedra por nada. Recolho pequenas pedras Que encontro em lugares raros E guardo de lembrança: Pedras da praia do mar da Mancha, Da cidade de Dieppe, na Normandia, Onde se travaram sangrentos combates, Na Segunda Guerra Mundial, E onde os Canadenses aliados contra os nazistas Sofreram imensas baixas... Essa cidade, de maneiras várias, Reverencia a memória desses Canadenses!... Pedras de uma praia do mar Mediterrâneo, em Montpellier; Pedras francesas... As pedras brasileiras, tenho-as semi-preciosas, Algumas... A água vai como eu vou... Onde não há caminho, A gente dá um jeitinho e passa... A água livra a pedra de máscaras... A água ajuda a pedra a não ser seca. Sem mãe, Sem pai, Sem parente nem aderente, A pedra e a água – permanência e impermanência Insolvência e solvência... Os peixes preferem a água As cobras preferem as pedras. Eu fico assistindo à interação das duas... De camarote! Mas só por um instante! Muitas vezes, Sempre que possível, Acabo me misturando a ambas...

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