Pedido de SOS

Autores: Euna Britto de Oliveira

Aos que a vida defraudou Às pessoas de caminhos fechados... Se quiserem, Eu ensino um vôo rasteiro Que as asas da coragem Conquanto desajeitadas Permitem ao pesado corpo ensaiar... O homem não foi feito pra voar. Estacados, esperam A abertura apertada Entre uma espada e outra. Enquanto esperam, Amadurecem a raiva E envelhecem a esperança... Abrí meus caminhos, meu Deus! Abrí meus olhos, meus ouvidos, meu coração... Nem que seja por debaixo da terra Túnel escavado com minhsa próprias unhas; Nem que seja por cima da terra, Cegonha comigo no bico Ou eu mesma Tentando planar... Só não quero as manhas Dos que assistem parados Ao desdobrar das manhãs!... Sou feita para fluir... Desencalha-me Como a água da chuva que corre na enxurrada Nas calhas das casas No alto da pedra escura Sacode-me Acode-me Decifra-me Destranca-me E me abre! Eu sou a ave Eu sou a água Eu sou a cinestesia E o medo E a anestesia. Garante-me, meu Deus! Perecemos Não por causa das adversidades Mas por causa de nossas defesas, Se são poucas. "Se Deus é por nós, quem será contra nós?"

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