Completude

Autores: Euna Britto de Oliveira

Parece que meu coração mudou para o lado direito Parece que não sei mais viver direito. E já soube! “Sarapalha” “Solombra” Lambrasa... Parece até dialeto de Mombasa. Não sei se é porque minhas entranhas miam Em vez de latir Não sei se é porque faço olhos compridos Em vez de avançar Sou dos poucos que gostam mais de gatos do que de cães. Não agüento nome de gente em animal Por causa do perigo de constrangimento De o animal ser chamado pelo nome Diante de seu xará humano!... Entretanto, quando pequena, Tive um macaco com o nome de apóstolo. Eu dizia “Simão” tão naturalmente Como se fosse para sempre um nome de macaco... Homens imensos comiam mandioca mansa E suas mulheres plantavam milho. Não distingo a mansa da brava Que amarga e mata. Por mais que eu puxe, Só me afloram consciências. Enquanto casais novos se separam, Ele ainda é o que me acorda em alta noite Para me completar. Durante o dia, Até que a gente se desentende. Estou falando da noite.

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