A Graça é de graça...
Autores: Euna Britto de Oliveira
Nada é de graça,
A não ser a graça,
Na qual sempre estive.
As mulheres bordavam frutas e flores
E teciam frivolitê.
Eu não sou mais desse tempo,
E o que em qualquer tempo faz pena
É uma casa sem bordados, sem plantas, sem zelo...
A brutalidade me bane para lugares tão distantes,
Que só anos-luz pra medir!...
Chego lá desarvorada.
A Força do Bem, que não se recusa, me banha
E eu volto fortalecida, renovada,
Iluminada!
Não sou ouro maciço,
Sou só banhada...
Quando me gastam,
Fico mareada.
Aí, eu volto novamente a essa Força,
Que me fotalece, renova e ilumina!
Na hora em que sumo
É que somo mais palmos
Para a minha única vida!...
Ascese - outro modo de se fugir em maior carreira
Para o rochedo mais alto,
Na hora da enchente...
Bombas de napalm queimaram as criancinhas
E Deus viu,
Mas a mulher não creu em Deus.
A mulher não viu a anestesia
Com que Deus protegeu as criancinhas,
Porque só meia visão foi dada aos humanos...