Poesia desenfreada

Autores: Euna Britto de Oliveira

Poesia desenfreada
A vida é calma, às vezes cruel, Mas sempre fiel. Tudo é espelho, Por isto, as casas estioladas E as roupas despencadas não me agradam Mas às vezes me retratam. Gosto de tudo no rumo, no prumo! Uma casa pintada de novo, de branco, Coberta de telhas vermelhas – eis o estado de espírito Da datilógrafa que fez os versos transcritos Em fita de polietileno Ficarem tão mais caprichados! Espichados, ficaram aqueles que fiz com letra cursiva estreita E caldo de vida sangrado... Leves como as coisas na lua São as folhinhas de poejo Que pelejo pra cultivar, por causa do cheiro... As formigas sapateiam sobre as sementeiras Uma dança breve e perigosa Que acaba sempre com uma folhinha em cada chifre miúdo e voraz. Um formigueiro por dentro é um palácio de labirintos e espaços Mas muito mais complexa e surpreendente é a alma da gente! Intriga-me o verniz perfeito das asas das baratas. Lá em cima daquela nuvem há uma oficina Onde os anjos menorzinhos se ocupam em ajudar Deus E disputam pra ver quem lustra melhor e mais depresssa Cada asa, Cada peça... Uma gatinha descadeirada está entre a vida e a morte, Estou torcendo por ela!...

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