Sons de um martelo...

Autores: Euna Britto de Oliveira

Sons de um martelo...
Marteladas de pedreiro no prédio vizinho. Fortes, firmes, compassadas. Como sinais de telegrafia, Tento decifrar esse código... Toques, Batidas continuadas e descontinuadas... No meu laicismo, Decifro só isto: O mundo anda. O que desanda é a preguiça de quem não trabalha. Pedreiro de marmita só com feijão, arroz e ovo. "Arroz c´ovo" soa quase como um prato russo... Brinca de martelar o que já foi menino. Destrói pra construir ou remendar paredes. O prédio já está feito, É reforma. Aproprio-me do som do pedreiro Com o qual ele não vai fazer nada E aqui No meu picadeiro No meu camarim Faço-o desfilar como um artista bom de palco Só pra mim! Mas o pedreiro não sabe. Sons soltos no ar São de quem os pegar... Sons primitivos, Que lembram o da pedra contra pedra Na Idade da Pedra... É também com esses sons Que se constroem cidades!... Para todos os Pedreiros Desejo só Felicidades! Eles edificam E depois não podem entrar... O mundo dos edifícios não é fácil, É bem difícil! De tudo, não restará pedra sobre pedra... Mas restarão os sons de todos os martelos A fazer ondas no universo infinito... Ondas circuncêntricas, Que Deus identifica e justifica. Da construção do seu Reino...

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