Cinzas

Autores: Euna Britto de Oliveira

Não sinto calor nem frio, sinto meio medo, não é um medo inteiro, é um medo manso, que já foi arrepio... Em um fogão de lenha, numa panela de pedra-sabão, coloco o meu destempero. Queima-se a lenha, desfaz-se em labareda, brasa e cinza. Com o carvão que sobrar, amanhã escreverei palavras. Eu sou assim: Gosto de escrever com qualquer coisa, sobre qualquer superfície!... Então, não te lembras de que escrevi teu nome sobre a noite, com a ponta de um tição ardente?!... Não te orgulhas daquelas fagulhas?... E fiz desenhos de fogo sobre o meu próprio coração?!... Hoje eu sei de tudo que sabia ontem, e ainda um pouco mais!... Há coisas esquecidas por vontade própria, e coisas adormecidas, de maldade feia!... Poços, cisternas, cercas... Eu gosto é de cascatas e rios rasos, de quintais ensolarados e mangueiras... Palmas para os Santos Reis, nós já passamos de seis!!!...

26/10/92

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