Argila

Autores: Euna Britto de Oliveira

Arrasto-me por sobre as sobras das águas do que um dia foi um rio... Há pedras e areia, e nem sinal de peixes! Ouço gorjeios de pássaros e expressões de —"Não me deixes"!... Antevejo os guaxezinhos, nos vôos rasantes dos pais, e nos ovos pequeninos dos ninhos suspensos nas árvores!... Do lado de fora de mim faz frio. Finjo que não sei que é hora de partir, de me vestir, para a próxima noite de sono, e prolongo a diversão... Solto-me em devaneios, e faço panelinhas de barro, com a felicidade de crianças que modelam massas coloridas!... Deixo-as lá na fazenda, bem longe das avenidas. Visito uma ilha. Lá estão meus irmãos, ainda pequenos. Minha mãe tira retratos nossos com sua antiga Kodak. O pensamento está seco, o sentimento está santo. Não sei se mostro a lembrança, ou se me cubro com um manto!... Se eu tivesse de aprender outra língua, hoje, escolheria o Árabe, mas ontem mesmo teria sido o Russo. Ai, que trabalho que dá aprender para esquecer... Vivenciar para arquivar!!!

Comentários

Ainda não há comentários.