Magia

Autores: Euna Britto de Oliveira

Quando a matéria me entristece, Ainda me resta o éter... É dentro dele que pego uma varinha E vou desenhando coisas, Vou agitando o nada, Até ver surgir um redemoinho, Uma pequena força, Uma hélice de moinho... A partir dessa força, Gero aquilo que me falta: Uma atitude, Uma altitude, Uma alegria, Uma palavra sadia, Um fole para reacender fogo Nos carvões do meu amor, Uma centelha que incendeie As brasas velhas, dormidas... Um reparo nas paredes, Nas molduras carcomidas Das cenas feitas com a força Da tinta de sangue e suor!... Este sangue que já anda por caminhos cansados... Este suor que não se escorre, Apenas mina medroso... Quando a matéria me entristece, Eu deixo sua miséria, E vou laborar no éter, Onde não visto suéter, Nem jeans, nem nada! Apenas nado no nada... Mais nada.

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