Emenda
Autores: Euna Britto de Oliveira
A facilidade com que a felicidade se par-
te deixa-me insegura,
mas não me deixa medrosa!
Acaba de entornar-se o que vou chamar de leite
com que eu contava
para me alimentar à tarde,
mas, na verdade, é uma metáfora.
Desfez-se foi a oportunidade
do que seria um deleite...
Desconcertada, enxugo o chão, enxáguo as mãos,
ponho à larga o coração
e aviso que vou caminhar até onde der
o meu corpo de mulher...
É muito macaco pra pouca banana,
quem me falta não me engana!
Não sou mais vingativa, conscientizei-me,
consegui me convencer
de que vingança tem fruto amargo...
Dona Judite contava o caso
de uma mulher que dizia que Deus vinga mas demora,
por isso ela mesma ia fazer o serviço! Tinha pressa!...
Eu achava engraçado, e ria...
Ao menos minha ingenuidade não deixou saudade.
Preciso de um contador de anedotas!...
Até umas histórias idiotas podem desatar sorrisos
na hora dos prejuízos...
Entro no quarto.
A carinhosa colcha de retalhos cobre a perninha da criança
ferida em caco de louça branca
de um prato que se partiu...
A colcha de retalhos que emendei,
como uma forma de me eximir
da tarefa de emendar palavras,
de remendar frases...
Como arte da alegria de,
com retalhos,
contar histórias,
alinhavar poesia...
“Se queres ser feliz por um momento, vinga-te! Se queres ser feliz sempre, perdoa!” (Tertuliano)