Têmpera

Autores: Euna Britto de Oliveira

O telefone ainda estava quente Com a voz do menino Quando liguei para o idoso. Havia restos de telhas na casa E muitos talhos no meu coração. Quem não me conhece Achou que devo ser uma pessoa séria. — Sou, sim! Palavras com poder de punhal Palidez e má circulação Emoção O céu vendo tudo de cima Deus escrevendo certo em linhas tortas... O desfiladeiro apertado desemboca em lugar largo e plano... No documento oficial, Palavras de vivos, Mas mortas... 53 é um número lindo, maleável e meu. Gosto dele como se gosta de um nome. Por sete anos, foi meu número no Colégio interno. Ele hoje estava escrito numa vaga de garagem! Meu futuro carro paira... Ora vermelho Ora branco Tal qual um disco voador Saído da minha intuição... Tempestade de neve Paralisa o vôo dos pássaros. Permita Deus que eu viva E volte Para contar a história... Até ladrilhos têm memória!... Vitória!

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